Neurindex

Índice de Acessibilidade Neurodivergente

O Neurindex é um índice que mede o nível de preparo de ambientes para a recepção de famílias e pessoas neurodivergentes.

Ele não avalia qualidade, não emite julgamentos e não rotula estabelecimentos como adequados ou inadequados. O Neurindex existe para posicionar. Indica, de forma objetiva, em que ponto um local se encontra hoje e qual é o caminho possível de evolução, dentro de critérios específicos, medidos pela plataforma da comunidade Orbi360.

Todo ambiente está em uma jornada. Alguns estão no ponto inicial, outros já avançaram em práticas, estrutura e operação. O Neurindex reconhece essa realidade e traduz essa maturidade em níveis claros, progressivos e comparáveis, permitindo que a evolução seja acompanhada ao longo do tempo.

O índice não busca apontar falhas nem expor limitações. Ele estabelece um marco de referência. A ausência de um recurso ou prática não significa inadequação, mas apenas um estágio ainda não alcançado dentro de uma escala evolutiva.

O propósito central do Neurindex é orientar o progresso: ajudar famílias atípicas a compreenderem o nível de preparo dos locais que frequentam ou avaliam frequentar e, ao mesmo tempo, oferecer aos estabelecimentos uma ferramenta de crescimento contínuo, baseada em critérios objetivos e mensuráveis.

O Neurindex considera exclusivamente a capacidade, maturidade e consistência de um local em acolher pessoas com autismo, TDAH e outras condições neurodivergentes, analisando aspectos sensoriais, estruturais e operacionais.

Não existe ponto final. Existe avanço.
Não existe nota ruim. Existe estágio.
O Neurindex não mede perfeição.
Mede evolução.

O Neurindex é um sistema de avaliação que mede o quão acolhedor e acessível um ambiente é para pessoas neurodivergentes (autistas, com TDAH, dislexia, dispraxia e outras condições neurológicas).

O Neurindex avalia critérios específicos que realmente importam para quem tem diferenças no processamento sensorial, social e cognitivo.


Por que o Neurindex foi criado?

Estudos e especialistas estimam que 15-20% da população mundial é neurodivergente (Doyle, 2020), mas não existe nenhum sistema padronizado para avaliar se um lugar é adequado para essas pessoas.

O que a ciência diz:

  • Estudos indicam que a maioria das pessoas autistas têm diferenças no processamento sensorial (Tomchek & Dunn, 2007)

  • Ambientes inadequados causam estresse fisiológico mensurável, incluindo aumento de cortisol (Corbett et al., 2006)

  • Iluminação, ruído e organização visual inadequados impactam diretamente o bem-estar neurodivergente (Mostafa, 2014)

Apesar de toda essa pesquisa, não existe uma forma simples de uma família saber:
“Esse restaurante vai ser tranquilo para meu filho?”
ou
“Essa escola entende de neurodivergência?”


Como o Neurindex funciona?

O índice avalia 4 dimensões fundamentais, cada uma baseada em evidências científicas, cada uma com peso específico na pontuação final:


1 – Neuro Friendly (Ambiente Neuro amigável) — 40%

Avalia a presença de adaptações sensoriais, como:

  • Iluminação adequada: Tipo, intensidade e se tem luz natural (Ludlow et al., 2012)

  • Controle de ruído: Nível sonoro do ambiente (estudos indicam alta prevalência de sensibilidade auditiva em autistas – Khalfa et al., 2004)

  • Texturas e materiais

  • Cheiros e estímulos visuais: Quanto de “poluição visual” existe (autistas processam detalhes de forma diferente e ambientes confusos sobrecarregam – Happé & Frith, 2006)

  • Espaços de pausa: Disponibilidade de áreas calmas para regulação sensorial (demonstrado como essencial para prevenir sobrecarga)


2 – Acessibilidade — 30%

Analisa a infraestrutura física do local, incluindo:

  • Rampas e acessos: Rampas e elevadores

  • Estacionamento acessível

  • Banheiros adaptados

  • Largura de corredores

  • Sinalização clara e funcional: Sinalização clara e intuitiva (pesquisas mostram que autistas têm mais dificuldade com navegação espacial complexa – Lind et al., 2013)


3 – Pet Friendly — 20%

Considera se o local:

  • Aceita animais de apoio emocional e de serviço: Cães-guia e de assistência e animais de suporte emocional fundamentais para regulação emocional de muitos neurodivergentes

  • Possui estrutura adequada para recebê-los

  • Disponibiliza água e espaço apropriado


4 – Experiência Local — 10%

Avalia aspectos operacionais gerais, como:

  • Limpeza

  • Atendimento

  • Organização

(semelhante a critérios usados em avaliações tradicionais, porém com peso reduzido)


O que o Neurindex não mede

O Neurindex não avalia:

  • A qualidade geral do estabelecimento como destino turístico ou comercial

  • Comparações diretas com outros locais do mesmo segmento

  • Satisfação subjetiva do cliente

  • Julgamentos de valor ou reputação do estabelecimento (“bom” ou “ruim”)

Enquanto outros sistemas medem “satisfação geral”, o Neurindex mede fatores específicos validados por pesquisa:

  • Não é opinião – são critérios baseados em estudos de neurociência e terapia ocupacional

  • Não é genérico – cada dimensão responde a necessidades documentadas cientificamente

  • Não é estático – evolui conforme novas pesquisas surgem


Impacto esperado

Para famílias:

  • Planejamento com confiança

  • Menos ansiedade antecipatória

  • Mais participação em atividades comunitárias

Para estabelecimentos:

  • Orientação clara sobre o que melhorar

  • Diferenciação através de inclusão real

Para a sociedade:

  • Menos exclusão de pessoas neurodivergentes

  • Ambientes mais acolhedores para todos

  • Avanço prático da neurodiversidade


Níveis do Neurindex

Explorer (0.0 – 2.9)
A base de preparo está começando a ser construída.

Navigator (3.0 – 4.9)
Práticas iniciais estão em implementação.

Guardian (5.0 – 6.9)
Acolhimento presente, porém ainda não integral.

Guide (7.0 – 8.9)
Preparação consciente, consistente e confiável.

Beacon (9.0 – 10.0)
Excelência reconhecida em acolhimento neurodivergente.

Já baixou o app para nos ajudar a fazer melhor?


Referências (selecionadas)

Corbett, B. A., et al. (2006). Cortisol circadian rhythms and response to stress in children with autism. Psychoneuroendocrinology, 31(1), 59-68.
Doyle, N. (2020). Neurodiversity at work: a biopsychosocial model and the impact on working adults. British Medical Bulletin, 135(1), 108-125.
Happé, F., & Frith, U. (2006). The weak coherence account: detail-focused cognitive style in autism spectrum disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 36(1), 5-25.
Khalfa, S., et al. (2004). Increased perception of loudness in autism. Hearing Research, 198(1-2), 87-92.
Lind, S. E., et al. (2013). Spatial navigation impairments among intellectually high-functioning adults with autism spectrum disorder. Autism Research, 6(2), 135-141.
Lounds Taylor, J., et al. (2018). Barriers to healthcare for people with autism spectrum disorder. Pediatrics, 141(Supplement 4), S390-S397.
Ludlow, A. K., et al. (2012). Visual processing of social threat in adults with autism spectrum disorder. Research in Autism Spectrum Disorders, 6(3), 976-984.
Mazurek, M. O., & Sohl, K. (2016). Sleep and behavioral problems in children with autism spectrum disorder. Journal of Autism and Developmental Disorders, 46(6), 1906-1915.
Mostafa, M. (2014). Architecture for autism: Concepts of design intervention for the autistic user. International Journal of Architectural Research, 8(1), 189-211.
Nicolaidis, C., et al. (2015). “Respect the way I need to communicate with you”: Healthcare experiences of adults on the autism spectrum. Autism, 19(7), 824-831.
Schaaf, R. C., et al. (2015). State of the science: A roadmap for research in sensory integration. American Journal of Occupational Therapy, 69(6).
Tomchek, S. D., & Dunn, W. (2007). Sensory processing in children with and without autism. American Journal of Occupational Therapy, 61(2), 190-200.